terça-feira, 21 de maio de 2013

Até o relógios derretem...

Já pensava Dalí.
Prova de que nada consegue resistir ao tempo. Nem ao menos a sua própria representação.
Cada movimento do ponteiro parece atingir como uma facada em minha alma. Ligeira e perversa, a areia aos poucos vai se depositando em minhas costas, como se encaminhasse meu corpo em direção à cova. 
Está bem, acrescentei um drama desnecessário agora.
Não é que eu tenha medo da morte, não é isso que quero dizer. Eu tenho medo é do tempo. Do tempo e de como ele consegue deteriorizar tudo o que está a sua volta. 
Sim, é bem verdade que ele pode ser muitas vezes um aliado nosso (pois nos ajuda a superar -ou melhor dizendo, suavizar- perdas, decepções e vissicitudes negativas da vida), mas de um ano pra cá não é assim que eu ando o encarando.
Hoje, com 19 anos, me sinto como uma pessoa de 91. Como se eu tivesse vivido em abudância. É como se incontáveis pessoas e lugares que já foram presentes em determinada época de minha vida passassem diante de meus olhos em um flash embaçado... Mas no final se reduzissem a pó, ou menos que isso.   
Contudo, simultanente, é como se eu não tivesse vivido nada. Porque, apesar desses eventos de maneira direta ou indireta, terem sido fundamentais pra minha condição atual, tudo ficou pra trás. Tudo não passa de memórias. Memórias impalpáveis que nunca poderão ser revividas.
Sei que deveria "parar de pensar tanto no passado, me preocupar com o futuro e viver o presente", aquela baboseira toda que o pessoal sempre fala. 
Mas é que eu estou um pouco assustada. E sabe de uma coisa? Ainda bem que estou assustada. Afinal, esse meu assombro serviu de colírio para me fazer valorizar aqueles 5 minutos que você daria tudo pra descartar.

3 comentários:

  1. Interessante sua escrita forte e confiante, e segura, mas ao mesmo tempo calma. Tinha passado, apenas, por aqui até que decidi ler mesmo e gostei do que li.

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    1. Obrigada! Li alguns de seus textos e gostei bastante também, você escreve muito bem :) Beijos

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